segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Álcool, infelizmente lícito.

Codependência:

O alcoolismo e todas as demais dependências químicas, ao contrário das outras doenças, é uma patologia colectiva, pois ataca e afecta profundamente todos aqueles que estão ligados afectivamente ao consumidor.Este é chamado de "dependente" e pais, avós, cônjuges, namorados, irmãos, etc...são chamados de "codependentes".
Esta é uma das dificuldades no manejo desta doença, pois de nada adianta tratar apenas o usuário. A família também precisa se tratar, mudar de conduta, deixar hábitos antigos. De nada adianta querer que o filho deixe de beber se a família mantém barzinho em casa e todos bebem socialmente. Jamais esquecer que quem bebe social...mente. O exemplo não é mais apenas uma maneira de educar: é a ÚNICA maneira de educar. Pais e professores alcoólatras e fumantes esquecem disso, lamentavelmente.
O alcoolismo é uma dependência devastadora, pois destrói o dependente física e psicologicamente, além de levá-lo à ruína financeira, social e familiar. É comum o dependente do álcool ficar solitário, pois em certos casos a família esgota sua energia, suas finanças e adoece de tal forma que não vê outra solução senão a de abandonar o dependente à sua própria sorte.
É inútil pensar que a dependência é um desvio de carácter, que é uma vergonha para a família e coisas deste tipo. É uma doença, está registrada no CID (Código Internacional de Doenças). É uma patologia incurável, progressiva e fatal, se o dependente não tiver um manejo adequado. Analogia: o diabetes é uma doença crónica incurável, mas se o doente se conscientizar disso, se mantiver rigidamente longe do açúcar, fizer uma dieta adequada e seguir todos os conselhos médicos, morrerá de outra doença e jamais de diabetes. O mesmo ocorre com o alcoólatra: ele terá de usar de todos os recursos e motivações para se manter longe da sua droga para o resto da vida. E isso é uma tarefa difícil de cumprir.


Por isso, surgiram os grupos de mútua ajuda, uma feliz iniciativa de Bill e Bob, dois norte-americanos (um médico e outro, corretor da bolsa de valores de Nova Iorque) que fundaram os Alcoólicos Anónimos, mais conhecidos por AA. Os AAs foram fundados há mais de 70 anos e hoje estão presentes em quase todos os países do mundo, com notáveis resultados na recuperação de
alcoólatras. Resultados reconhecidos pelos médicos e psicólogos. Tanto é verdade que os profissionais da medicina, nos hospitais, recomendam ao alcoolista que está por receber alta que trate imediatamente de frequentar um grupo de AA.

A partir dos AAs, surgiram dezenas de outros grupos de mútua ajuda: NA, NARANON, CCA, etc...cada um com seus objectivos próprios, mas todos seguindo o mesmo programa de "12 passos" criados por Bill e por Bob. Existe uma farta literatura sobre este tema disponível nas boas livrarias e também junto aos próprios grupos que funcionam na cidade.
Obedecendo a uma sistemática semelhante, existe o chamado "Amor Exigente", ligado à PACTO - Pastoral de Auxílio ao Toxicómano, da Igreja Católica, com reuniões para dependentes e familiares, além das comunidades terapêuticas para internação (as chamadas "fazendas"), nas quais o dependente de álcool ou de outras drogas cumpre uma internação de nove meses.

A identidade dos frequentadores dos AAs é mantida no mais total anonimato, assim como o teor de seus depoimentos das reuniões. Os grupos se mantém às suas próprias custas e são terminantemente recusadas ajudas financeiras, de qualquer tipo, vinda de estranhos ao grupo.
Independente do tratamento, internação, terapia com psiquiatras e psicólogos, a frequência aos grupos de AA é reconhecida por estes profissionais como de imprescindível necessidade para a manutenção da abstinência do dependente. Os profissionais e paramédicos que actuam nos estabelecimentos que tratam de alcoolistas, reconhecem claramente que os AA conseguem verdadeiros milagres, pois existem alcoolistas que estão abstinentes do álcool (de "cara limpa" no modo popular de falar) há mais de vinte anos.
“É uma luta para toda a vida. Mas que vale a pena.”

A Droga na Adolescência
Sempre existiu droga desde os nossos antepassados. Mas nesse tempo era usada apenas quando necessária para alguma emergência, como anestesiante ou estimulante.
À medida que os tempos vão passando o seu uso tem-se tornado constante provocando a decadência na juventude. Os motivos que encaminham os jovens para o mundo da droga são vários: problemas com os pais, para serem aceites nalgum grupo, entre outros… São motivos suficientes para que caiam num vício que dificilmente conseguirão, mais tarde, abandonar completamente.
Numa primeira fase, a frase mais usada é "quando quiser largo isto, não sou dependente" mas o pior é que a cada dia que passa a situação vai piorando e as doses aumentando mas a maneira de pensar continua a ser que quando quiserem largam o vício até que chegam ao estado de total dependência.
São muito poucos os pais que se apercebem do rumo que os seus filhos vão tomando, talvez por trabalharem tanto para que consigam dar aos filhos o conforto que não tiveram acabam por cometer um grande erro. Em vez de passarem tempo com eles, ensinarem-lhes que há valores mais importantes que o dinheiro, trabalham de sol a sol deixando-os sozinhos e desamparados e quando se dão conta da verdadeira situação dos seus filhos já é tarde, já estão na última fase em que tudo serve para arranjar dinheiro para a droga e começam por levar objectos e aparelhos da própria casa, a pedir nas ruas ou ás portas dos estabelecimentos. Chegam a gastar balúrdios só por uns miligramas diários.
Quando tudo o que existia em casa já está vendido enveredam pelo roubo e, posteriormente, pela prostituição. Rapazes e raparigas têm como única razão de viver a droga. Chegam a um estado de decadência tal que ficam apenas pele e osso. Não conseguem comer quase nada pois o estômago fica supersensível. O suor é nauseabundo assim como os seus abrigos.
Felizmente no meio de tanta de graça, os kits são de graça permitindo mais higiene e dificultando a propagação de doenças mas nem sempre foi assim. Muitos morreram porque a mesma seringa era usada inúmeras vezes e por várias pessoas. Agora a causa de morte é outra: overdose.
Claro que há aqueles que, com muita força de vontade conseguem fazer a desintoxicação e são bem sucedidos, mas são ainda muito poucos comparando com os que não o conseguem fazer.


http://www.adroga.casadia.org/codependencia/alcool-infelizmente-licito.htm


http://rascunhoesrp.no.sapo.pt/sociedade-cultura/sociedade-marco/a_droga_na_adolescencia1.htm

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Factores e sinais de alerta de um adolescente suicída

A tentativa de suicídio ou o suicídio em si não têm uma causa específica, mas sim um conjunto de factores que podem contribuir actuam com transtornos emocionais importantes. Os factores podem ser:
- Crise de identidade
– Baixa auto-estima.
– Distúrbios psiquiátricos (depressão).
– Crises familiares (separação dos pais, violência doméstica, doença grave ou morte)
– Falta de apoio no meio familiar.
– Perda de um familiar ou amigo querido.
– Crise disciplinar com os pais ou na escola.
– Situações de desapontamento, rejeição ou humilhação.
– Rompimento com o namorado ou namorada.
– Fracasso em actividades valorizadas pelo(a) jovem.
– Exposição ao suicídio (média, família, comunidade)
– Suicídio recente de amigos ou familiares.
– Falta de esperança.
– Abuso físico e sexual.
– Abuso de drogas.
– Gravidez indesejada.

Sinais de alerta:
A maioria dos adolescentes que tentam o suicídio demonstra a sua intenção de alguma forma:
Sinais verbais:
- Não quero viver mais.
– A vida não tem mais sentido.
– Deixarei de ser um problema.
– Em breve deixarei de sofrer.
– Gostaria de morrer.
– Ninguém se importa se estou vivo ou morto.
Desenhos:
- Planeamento
– Inventário dos bens.
– Ritual de despedida (cartas, e-mails, etc.)
Comportamentos na escola:
- Baixo rendimento, absentismo, pouca concentração.
– Alterações de humor e comportamentos rebeldes repentinos.
– Abordagem de temas sobre a morte.

Comportamento interpessoal:
- Abandono das relações habituais, mudanças nas relações, evitam envolvimento com amigos e encontros sociais. Esta alegria pode ser devida ao facto de concluírem que não têm outra saída e que encontraram a solução para os seus problemas “o suicídio”.

Assistência ao adolescente em risco de suicídio



O jovem com tendências suicidas necessitam de atendimento imediato por profissionais com experiência.Nesse momento ele não necessita de sermões, discussões, atitudes moralistas e preconceituosas.
O jovem que ameaça ou tenta o suicídio revela um completo colapso nos seus mecanismos adaptativos, a depressão é um dos mais importantes factores envolvidos no risco de suicídio e pode ter causas biológicas, hereditárias e psicossociais. O jovem deprimido confia pouco ou nada em si mesmo, apresenta baixa auto estima, experimenta alterações no apetite e no sono e culpabiliza-se com muita frequência, auto desvaloriza-se e tem uma visão negativa do futuro e sente que as suas dores e frustrações não serão aliviadas. Estes sentimentos levam a graves prejuízos, quer na saúde, quer nos seus relacionamentos interpessoais e rendimento escolar.
O tratamento poderá incluir terapia familiar, psicoterapia e o uso de medicamentos anti depressivos. Em alguns casos, o isolamento temporário do meio familiar pode ser necessário.

Adolescente suicida


Para compreender este fenómeno é essencial compreender o que é ser adolescente...

"A minha dor
A minha dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.
(...)
Neste triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve... ninguém vê... ninguém..."

Florbela Espanca (s/d). Sonetos. Publicações Europa América

Quando falamos em suicídio, imediatamente pensamos na adolescência. Antes da adolescência, as tentativas de suicídio são muito raras. Este facto leva-nos a colocar imediatamente a questão: quais os ingredientes da adolescência que a tornam uma etapa de vida tão vulnerável? Falar em suicídio na adolescência exige a compreensão do que é ser adolescente e dos desafios que lhe são colocados

Gostaria de reflectir sobre três factores que têm um significado especial para todos os adolescentes: a sua relação com os pais, a relação com os pares e a relação com o próprio corpo. Não é um acontecimento isolado que leva a esta decisão, como, por exemplo, uma discussão com os pais ou o final de uma relação de namoro. Estes acontecimentos geralmente desempenham apenas a função de espoletar a tentativa de suicídio, embora o sofrimento e desespero já se venham a arrastar há muito tempo.

Os pais dos adolescentes suicidas têm muita dificuldade em aceitar o processo de autonomização dos filhos. Estes não conseguem conviver com a ideia de que os adolescentes têm cada vez mais necessidade de ter os seus próprios pensamentos e sentimentos e de tomar as suas próprias decisões, de uma forma cada vez mais independente dos pais. Face a esta pouca abertura da família, o adolescente sente uma profunda incapacidade de expressar os seus sentimentos negativos de uma forma normal e construtiva. Estas famílias são marcadas pela rigidez, alta coesão e baixa capacidade de estabelecer relações sociais.

A tentativa de suicídio é um “grito” de socorro de alguém que se encontra com um imenso sentimento de
frustração, impotência e desespero.



(http://www.psicoastro.com/artigos/suicidio-na-adolescencia)
(http://www.educare.pt/educare/Actualidade.Noticia.aspx?contentid=1037623119863A1FE0440003BA2C8E70&opsel=1&channelid=0)