segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Adolescentes e homossexualidade



A questão da homossexualidade não é nova mas foi principalmente na última década que se verificou um crescente interesse no seu estudo e análise. E não é por acaso que isso acontece, nas sociedades ocidentais - e falamos apenas delas - neste dado momento concreto. O emergir da discussão sobre os direitos individuais e o maior respeito pelas determinações e orientações de cada um, a introdução da questão "HIV", bem como os dados científicos baseados na evidência, permitem debater este assunto com maior lucidez, objectividade e sem tantos preconceitos como os que, nas sociedades ditas "ocidentais", impediram durante muito tempo uma leitura imparcial e rigorosa da questão.

HOMOSSEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA
Vivemos numa sociedade homofóbica que discrimina com violência a homossexualidade, fazendo com que homossexuais se exponham a riscos para a saúde por medo de terem a sua orientação sexual revelada. A adolescência é um momento de grande intensificação das manifestações sexuais, fase em que o jovem passa a ter uma nova imagem corporal e posição sexual. Para isso, pode buscar o caminho tanto da homossexualidade como da heterossexualidade. A partir de conhecimentos oriundos da psicanálise, antropologia e pesquisas médicas, o artigo se propõe a contribuir com os profissionais de saúde que atendem adolescentes, oferecendo-lhes distintas informações acerca da homossexualidade para que proporcionem aos seus clientes um atendimento ético, sem discriminação, auxiliando-os a se tornarem aptos a enfrentar seus impasses.

Comportamento sexual
O comportamento dos adolescentes homossexuais é tão variado quanto dos heterossexuais. A inversão sexual pode irromper na infância, adolescência ou na idade adulta, durar toda a vida, desaparecer temporariamente, aparecer após um longo tempo de actividade sexual heterossexual, etc.
Homens e mulheres homossexuais são tão diferentes entre si como todos os demais seres humanos.

A definição de masculino e feminino, do ponto de vista psíquico e sociológico, é extremamente complexa. Todo ser humano apresenta uma mistura de caracteres biológicos, psíquicos, masculinos e femininos. Apenas uma minoria de homens e mulheres homossexuais tem trejeitos caricatos do sexo oposto ao seu. A maioria dos gays e lésbicas não se manifesta de modo estereotipado, o que lhes permite manter sua orientação sexual velada. Alguns heterossexuais relatam que tiveram atracão sexual por pessoas do mesmo sexo em alguma época da vida, mas não se tornaram homossexuais. Outras pessoas têm relacionamentos homossexuais ocasionais (Heilborn, 1996).

Podemos encontrar adolescentes homossexuais que nunca tiveram experiência sexual. Outros já tiveram experiência apenas heterossexual ou homossexual. Existem aqueles que experimentaram relacionamentos tanto homo como heterossexuais.

Riscos e transtornos médicos e psicossociais
Em função da inquietação e discriminação existentes na sociedade em torno da prática homossexual, vide a homofobia, o adolescente, temendo ser rejeitado, muitas vezes esconde sua condição e se isola, colocando sua saúde em risco.

Depressão e comportamento suicida são mais frequentes entre homossexuais do que entre os heterossexuais .Outros transtornos comuns são: isolamento social e emocional, evasão escolar, uso de álcool e drogas, transtornos alimentares, conflitos familiares, fuga de casa, prostituição, delinquência e violência.

A relação homossexual masculina genital anal é traumática e isso aumenta a probabilidade de doenças sexualmente transmissíveis. O índice de HIV/SIDA é maior entre gays do que na população geral e, entre as lésbicas, é menor. A homossexualidade feminina é menos diagnosticada em atendimento médico e menos visível socialmente. As relações sexuais entre mulheres em geral não são traumáticas e não aumentam o risco de doenças sexualmente transmissíveis. Neste caso, mais frequentemente ocorrem transtornos psicossociais como isolamento, depressão, tentativas de suicídio, rejeição da família, dificuldades escolares, etc.
Atenção à saúde
Um adolescente raramente busca atendimento médico em razão de sua homossexualidade. Às vezes a família a descobre e o traz à consulta, à sua revelia e querem ajuda médica para tentar mudar a orientação sexual.

Os profissionais de saúde devem estar atentos, ao atender adolescentes, às dificuldades mais comuns que estes podem apresentar na área da sexualidade, já que a adolescência é a etapa da vida em que as manifestações sexuais se intensificam e a identidade sexual se reafirma. Às vezes, numa primeira consulta, os adolescentes não conseguem se abrir e fazer confidências, mas é importante que eles percebam que há espaço para tal.

Os problemas médicos principais do adolescente homossexual masculino são as doenças sexualmente transmissíveis, os traumas do coito e os problemas psicossociais relacionados aos desajustes da identidade homossexual como a depressão, isolamento social, baixa auto-estima, abuso de drogas. Recomenda-se um exame físico cuidadoso da região genital, anal, pele, gânglios, garganta. O estado de imunização também deve ser averiguado.

O adolescente e sua família precisam ser acolhidos em suas dúvidas. A empatia e a busca da maior neutralidade possível em seu atendimento viabilizam que ele fale sobre suas questões sexuais. Espera-se com esta abordagem auxiliá-lo a ser sujeito de seus próprios desejos, ao invés de mero objecto, joguete dos desejos e roteiros sexuais alheios e que se proteja dos riscos inerentes à sua prática sexual .Informações sobre a homossexualidade e o carácter não patológico da mesma podem ser benéficas. Aos adolescentes homossexuais que se rebelam contra a sua orientação sexual, pode-se indicar um tratamento psíquico.

O mundo está (felizmente) a mudar

Com o evoluir das sociedades, quando hoje em dia não ter filhos já não lança ninguém no opróbrio, quando as liberdades, direitos e garantias individuais são promovidas e não apenas as da comunidade como um todo, a questão da homossexualidade, tal como muitas outras, tornou-se objecto de debate e de discussão. E se, por um lado, ainda se observam frequentemente atitudes segregacionistas e de exclusão (algumas vezes de auto-exclusão), é crescente a tolerância e mesmo a normalidade com que o assunto é felizmente encarado. Para isso tem contribuído a afirmação pública de pessoas e individualidades de várias áreas da ciência e da cultura relativamente ao facto de serem homossexuais. Há uns anos não se admitiria que, por exemplo, um ministro de um governo fosse assumidamente "gay", o admitisse publicamente e continuasse a ser ministro. Hoje já o é, em alguns países.
A homossexualidade não é uma questão de escolha

Cada vez mais se entende que a homossexualidade, como uma das possíveis orientações sexuais, não é uma questão de escolha, ou seja, não se escolhe ser homo, hetero ou bissexual. É-se, apenas e tão só, embora permaneçam desconhecidos os determinantes dessa orientação. O que já pertence ao capítulo das opções pessoais é a forma de comportamento e os estilos de vida que as pessoas, homossexuais (ou não) adoptam, designadamente o tipo de experimentação sexual e o viver (ou não) uma vida com relações homossexuais assumidas. Por outro lado, é bom que fique claro que as experiências homossexuais, masculinas e femininas, durante a adolescência, não são, para a larga maioria dos jovens, um factor predictivo da sua orientação futura.
No que se refere à prevalência desta situação, embora alguns relatórios tenham indicado estimativas, em adultos, de cerca de 4% para os homens e 2% para as mulheres, desconhece-se a taxa na adolescência e estas prevalências variam enormemente de região para região e de comunidade para comunidade, muito dependente do grau de aceitação social e até político.
As mesmas necessidades e padrões de desenvolvimento

Os adolescentes homossexuais partilham os mesmos padrões de desenvolvimento dos seus congéneres heterossexuais, designadamente o estabelecimento de uma identidade sexual, a decisão sobre os comportamentos, a gestão dos afectos, as opções relativas a ter ou não relações, de que tipo e protegidas ou não, etc. Os riscos que correm, relativamente às doenças de transmissão sexual, como a infecção a HIV ou outras, exigem as mesmas estratégias de educação para a saúde. Assim, os cuidados antecipatórios que se debatem com qualquer adolescente não devem excluir nenhum, independentemente das suas opções e orientações que, como se afirmou, podem até não querer dizer coisa nenhuma em relação ao futuro. Por outro lado, e como já referimos, sendo uma minoria na sociedade os homossexuais estão sujeitos a uma pressão social e a um "empurramento para a clandestinidade" que pode trazer um menor acesso aos serviços, um maior desconhecimento da informação credível e de rigor e, também, um aumento dos problemas psicológicos e sociais, numa adolescência já pontuada por dúvidas, angústias e "duelos" entre modelos de vida, de comportamentos, de relações e de concepções de sociedade.


Problemas a vários níveis…

Os problemas psicossociais derivam fundamentalmente do fenómeno de exclusão, vergonha (é preciso ver que ainda vivemos em sociedades onde os conceitos religiosos, mesmo nos não praticantes e não crentes, tem um peso extraordinário em pequenas coisas do dia-a-dia, mesmo que já não nas grandes decisões e opções), estigmatização social, hostilidade, etc. Aliás, não é por acaso que o risco de suicídio é muito superior para os adolescentes homossexuais, mesmo descontando outros factores do contexto social que possam também ser geradores de situações depressivas.

Muitas vezes, o comportamento exibicionista, associado a uma vontade de afirmar que "também se faz parte da sociedade", afasta e segrega mais as pessoas - mas é paralelo e "tão sem graça" como o comportamento exibicionista de um par heterossexual.
É fundamental, assim, ter uma atitude de instilar segurança à medida que os adolescentes formam a sua identidade sexual, sem rotulações precoces e imediatistas. Há uma evolução no processo de orientação sexual e, tal como para os adolescentes heterossexuais, não podemos confundir relações sexuais com sexualidade. A questão dos afectos é fundamental, dado que a expressão desses mesmos afectos é socialmente mal vista e pode limitar os impulsos amorosos que, se fosse o caso de um par heterossexual, até poderia ser motivo para uma fotografia ou um cartaz socialmente e esteticamente (e politicamente) "correcto".
Como definir "homossexualidade"?

Cada um de nós temos a nossa própria definição do que é a homossexualidade, se é apenas dizer que uma pessoa do mesmo sexo é bonita ou interessante, ou assumir publicamente a sua preferência por um companheiro do mesmo género.
Em todo o caso, pode-se designar homossexualidade como a atracção sexual, emocional e afectiva de pessoas de um género por pessoas do mesmo género, como parte de um continuum da expressão sexual. Muitos adolescentes têm relações homossexuais como parte da sua aprendizagem, experimentação e conhecimento do corpo. Por outro lado, muitos dos homens e mulheres homossexuais tiveram as suas primeiras experiências durante a adolescência, tendo sido no final desta que as suas determinações e opções se consolidaram.


Desenvolvimento da identidade homossexual
Durante a adolescência passamos a ter um objecto sexual, que mais comum entre alguém do sexo oposto. Porém, podem acontecer manifestações sexuais entre pessoas do mesmo sexo que estão se descobrindo, experimentando o que é ser homem ou ser mulher. São as raparigas que convivem com suas amigas intimamente, trocam confidências, carinhos e os rapazes que buscam parceiros para brincadeiras e vivências. É uma fase de experimentação sexual que contribui na construção da identidade sexual futura.

Os relacionamentos entre homossexuais nos adolescentes já foram mais frequentes do que são nos dias de hoje. Na Idade Média era comum a relação sexual entre um adolescente e um homem mais velho. Antes de inventarem a pílula anticoncepcional e da “revolução sexual”, época de mudança dos costumes na qual a mulher passou a ter mais liberdade sexual, era comum o chamado “troca-troca” entre os adolescentes do sexo masculino. Na geração actual isso já não acontece, pois os adolescentes já podem ter relações sexuais com suas namoradas e amigas, nesta fase de experimentação sexual.
Aqueles que sentem atracão por alguém do mesmo sexo inicialmente sentem-se diferentes, sem sabem o porquê. A consciência do desejo sexual acontece progressivamente. Em alguns casos ela dá-se desde a infância. Geralmente os homossexuais descobrem sua inclinação sexual no início da adolescência, têm fantasias homoeróticas, passam a ter experiências sexuais e assumem a sua homossexualidade no início da vida adulta. O intervalo de tempo entre descobrir-se homossexual e revelar-se pode ser longo. A maioria dos adolescentes tende a se manifestar quando já se considera independente e sente-se mais seguro em relação à sua orientação sexual. Alguns não se revelam nunca.
É difícil para um adolescente assumir sua homossexualidade devido à rejeição e à discriminação existentes na sociedade. Por isso, muitos homossexuais não se expõem e se isolam, pois não têm coragem de contar nem de compartilhar com alguém este sofrimento, tentando se defender da homofobia presente na sociedade. A homofobia, definida por atitudes irracionais contra homossexuais, é responsável por altos índices de violência contra estes



http://setimodia.wordpress.com/2009/06/26/homossexualidade-um-gay-nasce-gay/Z

A homossexualidade na adolescência


A sigla é LGBTT significa lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.
Vivemos numa sociedade homofóbica que discrimina com violência a homossexualidade, fazendo com que homossexuais se exponham a riscos para a saúde por medo de terem a sua orientação sexual revelada. A adolescência é um momento de grande intensificação das manifestações sexuais, fase em que o jovem passa a ter uma nova imagem corporal e posição sexual. Para isso, pode buscar o caminho tanto da homossexualidade como da heterossexualidade. A partir de conhecimentos oriundos da psicanálise, antropologia e pesquisas médicas, o artigo se propõe a contribuir com os profissionais de saúde que atendem adolescentes, oferecendo-lhes distintas informações acerca da homossexualidade para que proporcionem aos seus clientes um atendimento ético, sem discriminação, auxiliando-os a se tornarem aptos a enfrentar seus impasses.

Conceitos:
A homofobia: (homo= igual, fobia=do Grego φόβος "medo"), é um termo utilizado para identificar preconceito ou discriminação de uma pessoa contra homossexuais, contra homossexualidade, e que pode incluir formas silenciosas e insidiosas de preconceito e discriminação contra homossexuais
Bissexualidade: consiste na atracção física, emocional e espiritual por pessoas tanto do mesmo sexo quanto do oposto, com níveis variantes de interesse por cada um, e à identidade correspondente a esta orientação sexual.
Transexualidade :Refere-se à condição do indivíduo que possui uma identidade de género diferente a designado no nascimento, tendo o desejo de viver e ser aceito como sendo do sexo oposto. Usualmente o homens e a mulheres transexuais apresentam uma sensação de desconforto de seu próprio sexo anatómico, desejam fazer uma transição de seu sexo de nascimento para o sexo oposto (sexo-alvo) com alguma ajuda médica (terapia de retribuição de género) para seu corpo. A explicação estereotipada é de "uma mulher presa em um corpo masculino" ou vice-versa, ainda que muitos membros da comunidade transexual, assim como pessoas de fora da comunidade, rejeitem esta formulação.

Travesti: era originalmente alguém que se vestia com roupas do sexo oposto para se apresentar em concertos e espectáculos.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Homossexualidade



Provavelmente, cada um de nós terá a sua própria definição do que é a homossexualidade, se é apenas dizer que uma pessoa do mesmo sexo é bonita ou interessante, ou assumir publicamente a sua preferência por um companheiro do mesmo género. E aqui convém dizer que falamos de “género” e não de “sexo”, que são coisas ligeiramente diferentes, dado que têm a ver com o papel e a representação psicológica e social, e não exclusivamente com a anatomia.
Os problemas médicos principais do adolescente homossexual masculino são as doenças sexualmente transmissíveis, os traumas do coito e os problemas psicossociais relacionados aos desajustes da identidade homossexual como a depressão, isolamento social, baixa auto-estima, abuso de drogas. Recomenda-se um exame físico cuidadoso da região genital, anal, pele, gânglios, garganta. O estado de imunização também deve ser averiguado.


A discriminação
Se sempre existiu homossexualidade nas sociedades humanas, poder-se-á perguntar porquê a reacção de rejeição tão veemente (em algumas sociedades, designadamente as ocidentais, repito, dado que esta questão é pacífica em muitas regiões do mundo). Bom. Sem querer esgotar o assunto, valerá a pena referir duas ou três coisas: por razões que a antropologia facilmente explica, associadas ao desígnio de contribuir "a todo o custo" para a continuação da espécie, esta forma de orientação sexual foi quase sempre reprimida ou pelo menos olhada de esguelha - como, aliás, o era o facto de uma mulher não conseguir ter filhos, o que levava inclusivamente a ser expulsa da tribo ou do clã.
Não há, portanto, uma explicação única aceita pela ciência para a origem da orientação sexual. Porém, podemos entender, através de uma análise histórica e antropológica, as razões que levaram a homossexualidade ter sido considerada uma doença e o porquê do preconceito contra os homossexuais existente em nossa sociedade.
É difícil para um adolescente assumir sua homossexualidade devido à rejeição e à discriminações existentes na sociedade. Por isso, muitos homossexuais não se expõem e se isolam, pois não têm coragem de contar nem de compartilhar com alguém este sofrimento, tentando se defender da homofobia presente na sociedade. A homofobia, definida por atitudes irracionais contra homossexuais, é responsável por altos índices de violência contra estes .

(http://www.educacao.te.pt/pais_educadores/index.jsp?p=86&id_art=60)
(http://claudia.abril.com.br/materias/3013/?pagina5&sh=&cnl=&sc=)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Álcool, infelizmente lícito.

Codependência:

O alcoolismo e todas as demais dependências químicas, ao contrário das outras doenças, é uma patologia colectiva, pois ataca e afecta profundamente todos aqueles que estão ligados afectivamente ao consumidor.Este é chamado de "dependente" e pais, avós, cônjuges, namorados, irmãos, etc...são chamados de "codependentes".
Esta é uma das dificuldades no manejo desta doença, pois de nada adianta tratar apenas o usuário. A família também precisa se tratar, mudar de conduta, deixar hábitos antigos. De nada adianta querer que o filho deixe de beber se a família mantém barzinho em casa e todos bebem socialmente. Jamais esquecer que quem bebe social...mente. O exemplo não é mais apenas uma maneira de educar: é a ÚNICA maneira de educar. Pais e professores alcoólatras e fumantes esquecem disso, lamentavelmente.
O alcoolismo é uma dependência devastadora, pois destrói o dependente física e psicologicamente, além de levá-lo à ruína financeira, social e familiar. É comum o dependente do álcool ficar solitário, pois em certos casos a família esgota sua energia, suas finanças e adoece de tal forma que não vê outra solução senão a de abandonar o dependente à sua própria sorte.
É inútil pensar que a dependência é um desvio de carácter, que é uma vergonha para a família e coisas deste tipo. É uma doença, está registrada no CID (Código Internacional de Doenças). É uma patologia incurável, progressiva e fatal, se o dependente não tiver um manejo adequado. Analogia: o diabetes é uma doença crónica incurável, mas se o doente se conscientizar disso, se mantiver rigidamente longe do açúcar, fizer uma dieta adequada e seguir todos os conselhos médicos, morrerá de outra doença e jamais de diabetes. O mesmo ocorre com o alcoólatra: ele terá de usar de todos os recursos e motivações para se manter longe da sua droga para o resto da vida. E isso é uma tarefa difícil de cumprir.


Por isso, surgiram os grupos de mútua ajuda, uma feliz iniciativa de Bill e Bob, dois norte-americanos (um médico e outro, corretor da bolsa de valores de Nova Iorque) que fundaram os Alcoólicos Anónimos, mais conhecidos por AA. Os AAs foram fundados há mais de 70 anos e hoje estão presentes em quase todos os países do mundo, com notáveis resultados na recuperação de
alcoólatras. Resultados reconhecidos pelos médicos e psicólogos. Tanto é verdade que os profissionais da medicina, nos hospitais, recomendam ao alcoolista que está por receber alta que trate imediatamente de frequentar um grupo de AA.

A partir dos AAs, surgiram dezenas de outros grupos de mútua ajuda: NA, NARANON, CCA, etc...cada um com seus objectivos próprios, mas todos seguindo o mesmo programa de "12 passos" criados por Bill e por Bob. Existe uma farta literatura sobre este tema disponível nas boas livrarias e também junto aos próprios grupos que funcionam na cidade.
Obedecendo a uma sistemática semelhante, existe o chamado "Amor Exigente", ligado à PACTO - Pastoral de Auxílio ao Toxicómano, da Igreja Católica, com reuniões para dependentes e familiares, além das comunidades terapêuticas para internação (as chamadas "fazendas"), nas quais o dependente de álcool ou de outras drogas cumpre uma internação de nove meses.

A identidade dos frequentadores dos AAs é mantida no mais total anonimato, assim como o teor de seus depoimentos das reuniões. Os grupos se mantém às suas próprias custas e são terminantemente recusadas ajudas financeiras, de qualquer tipo, vinda de estranhos ao grupo.
Independente do tratamento, internação, terapia com psiquiatras e psicólogos, a frequência aos grupos de AA é reconhecida por estes profissionais como de imprescindível necessidade para a manutenção da abstinência do dependente. Os profissionais e paramédicos que actuam nos estabelecimentos que tratam de alcoolistas, reconhecem claramente que os AA conseguem verdadeiros milagres, pois existem alcoolistas que estão abstinentes do álcool (de "cara limpa" no modo popular de falar) há mais de vinte anos.
“É uma luta para toda a vida. Mas que vale a pena.”

A Droga na Adolescência
Sempre existiu droga desde os nossos antepassados. Mas nesse tempo era usada apenas quando necessária para alguma emergência, como anestesiante ou estimulante.
À medida que os tempos vão passando o seu uso tem-se tornado constante provocando a decadência na juventude. Os motivos que encaminham os jovens para o mundo da droga são vários: problemas com os pais, para serem aceites nalgum grupo, entre outros… São motivos suficientes para que caiam num vício que dificilmente conseguirão, mais tarde, abandonar completamente.
Numa primeira fase, a frase mais usada é "quando quiser largo isto, não sou dependente" mas o pior é que a cada dia que passa a situação vai piorando e as doses aumentando mas a maneira de pensar continua a ser que quando quiserem largam o vício até que chegam ao estado de total dependência.
São muito poucos os pais que se apercebem do rumo que os seus filhos vão tomando, talvez por trabalharem tanto para que consigam dar aos filhos o conforto que não tiveram acabam por cometer um grande erro. Em vez de passarem tempo com eles, ensinarem-lhes que há valores mais importantes que o dinheiro, trabalham de sol a sol deixando-os sozinhos e desamparados e quando se dão conta da verdadeira situação dos seus filhos já é tarde, já estão na última fase em que tudo serve para arranjar dinheiro para a droga e começam por levar objectos e aparelhos da própria casa, a pedir nas ruas ou ás portas dos estabelecimentos. Chegam a gastar balúrdios só por uns miligramas diários.
Quando tudo o que existia em casa já está vendido enveredam pelo roubo e, posteriormente, pela prostituição. Rapazes e raparigas têm como única razão de viver a droga. Chegam a um estado de decadência tal que ficam apenas pele e osso. Não conseguem comer quase nada pois o estômago fica supersensível. O suor é nauseabundo assim como os seus abrigos.
Felizmente no meio de tanta de graça, os kits são de graça permitindo mais higiene e dificultando a propagação de doenças mas nem sempre foi assim. Muitos morreram porque a mesma seringa era usada inúmeras vezes e por várias pessoas. Agora a causa de morte é outra: overdose.
Claro que há aqueles que, com muita força de vontade conseguem fazer a desintoxicação e são bem sucedidos, mas são ainda muito poucos comparando com os que não o conseguem fazer.


http://www.adroga.casadia.org/codependencia/alcool-infelizmente-licito.htm


http://rascunhoesrp.no.sapo.pt/sociedade-cultura/sociedade-marco/a_droga_na_adolescencia1.htm

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Factores e sinais de alerta de um adolescente suicída

A tentativa de suicídio ou o suicídio em si não têm uma causa específica, mas sim um conjunto de factores que podem contribuir actuam com transtornos emocionais importantes. Os factores podem ser:
- Crise de identidade
– Baixa auto-estima.
– Distúrbios psiquiátricos (depressão).
– Crises familiares (separação dos pais, violência doméstica, doença grave ou morte)
– Falta de apoio no meio familiar.
– Perda de um familiar ou amigo querido.
– Crise disciplinar com os pais ou na escola.
– Situações de desapontamento, rejeição ou humilhação.
– Rompimento com o namorado ou namorada.
– Fracasso em actividades valorizadas pelo(a) jovem.
– Exposição ao suicídio (média, família, comunidade)
– Suicídio recente de amigos ou familiares.
– Falta de esperança.
– Abuso físico e sexual.
– Abuso de drogas.
– Gravidez indesejada.

Sinais de alerta:
A maioria dos adolescentes que tentam o suicídio demonstra a sua intenção de alguma forma:
Sinais verbais:
- Não quero viver mais.
– A vida não tem mais sentido.
– Deixarei de ser um problema.
– Em breve deixarei de sofrer.
– Gostaria de morrer.
– Ninguém se importa se estou vivo ou morto.
Desenhos:
- Planeamento
– Inventário dos bens.
– Ritual de despedida (cartas, e-mails, etc.)
Comportamentos na escola:
- Baixo rendimento, absentismo, pouca concentração.
– Alterações de humor e comportamentos rebeldes repentinos.
– Abordagem de temas sobre a morte.

Comportamento interpessoal:
- Abandono das relações habituais, mudanças nas relações, evitam envolvimento com amigos e encontros sociais. Esta alegria pode ser devida ao facto de concluírem que não têm outra saída e que encontraram a solução para os seus problemas “o suicídio”.

Assistência ao adolescente em risco de suicídio



O jovem com tendências suicidas necessitam de atendimento imediato por profissionais com experiência.Nesse momento ele não necessita de sermões, discussões, atitudes moralistas e preconceituosas.
O jovem que ameaça ou tenta o suicídio revela um completo colapso nos seus mecanismos adaptativos, a depressão é um dos mais importantes factores envolvidos no risco de suicídio e pode ter causas biológicas, hereditárias e psicossociais. O jovem deprimido confia pouco ou nada em si mesmo, apresenta baixa auto estima, experimenta alterações no apetite e no sono e culpabiliza-se com muita frequência, auto desvaloriza-se e tem uma visão negativa do futuro e sente que as suas dores e frustrações não serão aliviadas. Estes sentimentos levam a graves prejuízos, quer na saúde, quer nos seus relacionamentos interpessoais e rendimento escolar.
O tratamento poderá incluir terapia familiar, psicoterapia e o uso de medicamentos anti depressivos. Em alguns casos, o isolamento temporário do meio familiar pode ser necessário.

Adolescente suicida


Para compreender este fenómeno é essencial compreender o que é ser adolescente...

"A minha dor
A minha dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.
(...)
Neste triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve... ninguém vê... ninguém..."

Florbela Espanca (s/d). Sonetos. Publicações Europa América

Quando falamos em suicídio, imediatamente pensamos na adolescência. Antes da adolescência, as tentativas de suicídio são muito raras. Este facto leva-nos a colocar imediatamente a questão: quais os ingredientes da adolescência que a tornam uma etapa de vida tão vulnerável? Falar em suicídio na adolescência exige a compreensão do que é ser adolescente e dos desafios que lhe são colocados

Gostaria de reflectir sobre três factores que têm um significado especial para todos os adolescentes: a sua relação com os pais, a relação com os pares e a relação com o próprio corpo. Não é um acontecimento isolado que leva a esta decisão, como, por exemplo, uma discussão com os pais ou o final de uma relação de namoro. Estes acontecimentos geralmente desempenham apenas a função de espoletar a tentativa de suicídio, embora o sofrimento e desespero já se venham a arrastar há muito tempo.

Os pais dos adolescentes suicidas têm muita dificuldade em aceitar o processo de autonomização dos filhos. Estes não conseguem conviver com a ideia de que os adolescentes têm cada vez mais necessidade de ter os seus próprios pensamentos e sentimentos e de tomar as suas próprias decisões, de uma forma cada vez mais independente dos pais. Face a esta pouca abertura da família, o adolescente sente uma profunda incapacidade de expressar os seus sentimentos negativos de uma forma normal e construtiva. Estas famílias são marcadas pela rigidez, alta coesão e baixa capacidade de estabelecer relações sociais.

A tentativa de suicídio é um “grito” de socorro de alguém que se encontra com um imenso sentimento de
frustração, impotência e desespero.



(http://www.psicoastro.com/artigos/suicidio-na-adolescencia)
(http://www.educare.pt/educare/Actualidade.Noticia.aspx?contentid=1037623119863A1FE0440003BA2C8E70&opsel=1&channelid=0)